Biografia:
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Heather entregou sua vida a Cristo 20 anos atrás e desde então tem trabalhado nas áreas rurais entre Durban e Pietermaritzburg. Nesses últimos 20 anos ela tem simplesmente dedicado sua vida à transformação dessas áreas rurais. Começando por se preocupar com mulheres jovens grávidas, Heather tomou consciência posteriormente da ameaçadora crise dos órfãos oriundos da epidemia de AIDS e, portanto, abriu sua casa para esses bebês e crianças, chegando a cuidar de 41 crianças numa casa a certa altura! Depois desse início, Heather estabeleceu agora uma ONG que vem crescendo em influência, conhecida como God's Golden Acre (o Acre de Ouro de Deus), que compreende um grande centro de cuidado para crianças, um ponto evangelístico nas áreas rurais que apóia 750 crianças órfãs da AIDS, bem como uma rede de outros centros operando na região de Kwazulu-Natal. |
A magnitude do que Heather alcançou nesse período só pode mesmo ser compreendida quando nos damos conta de que ela tem estado sozinha neste trabalho na maior parte do tempo. Não há outras pessoas brancas trabalhando regularmente nessas áreas, ninguém que tem o mesmo conhecimento da cultura e língua Zulus. No entanto, é somente por causa desse compromisso total ao seu trabalho que Heather têm sido capaz de estabelecer a confiança e respeito suficientes nessas comunidades para introduzir esta mudança notável.
E à medida que ela continuou andando por seu caminho solitário no vale, foi o mundo que achou-a. Houve cobertura de todos os grandes jornais sul-africanos. Ela ganhou o prêmio de construção de pontees de Desmond Tuto. Houve transmissão dos canais E-TV, SABC e CNN de televisão. Ela foi uma preletora na Conferência Mundial de AIDS de 2002. Finalmente, obteve apoio financeiro do governo, do Rotary, Hope HIV e Starfish. Mas nada disso a distraiu do seu propósito: um amor e uma compaixão sem limites enquanto chega junto a crianças morrendo de fome e sem esperança, transformando suas vidas em algo lindo e cheio de esperança.
Ao andar ao redor do God's Golden Acre e ao ouvir os risos e alegria efervecentes, apenas conjecturamos como seria esse país se houvesse mais Heather Reynolds nesse país. E é apenas esse pensamento que inspirou outras pessoas a crer na sua própria habilidade e assumir o desafio. O projeto de ófrãos Ingwavuma da Ann Barnard começou depois que ela gastou tempo com a Heather. Ao redor de toda a região tem projetos que estão surgindo (Projeto do Noé, Kinosis, ) cujos inícios remontam ao incrível exemplo do God's Golden Acre. Ela é uma pioneira do conceito de cuidado de crianças em lares, um conceito que agora tem apoio governamental. A marca dessa heroína é a habilidade de transformar um setor inteiro além das fronteiras da área direta de seu trabalho.
Ao conversar com Heather, você vê que o futuro será diferente - sua visão é tangível e real. Se jamais houve uma heroína nesse país foi Heather Reynolds.
[Tradução da palestra de Heather Reynolds no congresso Soularize 2002, nos Estados Unidos.
Veja também www.godsgoldenacre.org ]
Parte 1
"Deus me levou a trabalhar com órfãos vítimas da AIDS. A epidemia de AIDS na África do Sul está tão ruim atualmente
que está levando uma geração inteira. A faixa etária entre 18 e 45 está morrendo numa taxa de 400 por dia. Isso é na nossa região apenas, não na África do Sul inteira. Você pode imaginar andar por aqueles lugares todos os dias e orar com os que estão morrendo e ver criancinhas lidando com uma mãe morrendo? Quantos de vocês aqui têm filhos entre 5 e 9 anos? Vocês conseguem imaginar seu filho de 5 ou 8 anos tentando lidar com a situação de ver você morrer? Esses são alguns dos quadros: crianças do lado de fora de casa. Eles se sentam do lado da mãe e a vêem morrendo, totalmente desesperançosas, sem ter nenhum apoio da comunidade. Porque a comunidade é tão pobre e está tão devastada com o impacto do vírus HIV. Um tempo atrás, eu vim do vale. Levantamos cedo e pegamos bastante comida. Vocês viram os slides com bastante comida. Nós levamos comida para 151 famílias. Nós pusemos 400 crianças na escola. Tínhamos 72 crianças nos nossos cuidados. A gente pega essas comidas e doamos. Assim, mantemos contato com as famílias. Numa tarde, eu estava cansada e é quente na África do Sul - lá pelas 6 da tarde eu já estava pronta pra ir pra casa, eu já tinha ouvido todas as histórias e eu não agüentava mais [tantas] histórias tristes, pedidos de ajuda. Enquantos saímos do vale eu vi uma mulher subindo uma lomba com bastante dificuldade. E eu vi seu rosto - mas eu não queria ver seu rosto, não queria parar, não queria ouvir mais nada. Quase que ela não nos pegous, mas aí eu vi o rosto e não consigui prosseguir. E eu disse pra Assistente Comunitária "Pare" e ela disse "Não. Eu estou cansada". E eu disse "Clara, por favor, eu preciso parar." Aquela face... havia algo naquela face me fez parar. Então eu saí do carro e fui até ela. Ela estava num morrinho. E ela disse "Por favor, tem uma mulher morrendo e nós precisamos de você urgentemente. Tem crianças lá." E eu disse "onde é essa casa? " e ela disse "logo ali". Então começamos a segui-la. Eu tenho um pequeno jipe. Deixei a estrada e segui uma pequena trilha na grama. E começou a escurecer e a trilha desapareceu. Naquela altura era só grama e eu comecei a me assustar porque eu nunca dirijo por lugares onde não tem estrada. Então eu estava mesmo nervosa. Fui indo devagar e finalmente demos na beira de uma descida. Aí minha companheira falou "vamos ter que prosseguir à pé pela ladeira, e está escurecendo". Então parei, peguei uma lanterna de trás do carro. Tínhamos comida, então peguei comida e segui descendo. Na altura que cheguei embaixo a luz lanterna já estava escura e as pilhas estavam quase acabando. Aí a gente começou a subir o outro lado do vale. Eu ia transpirando, transpirando e pensando "Por que que eu fui parar? Nunca mais faço isso". Mas do outro lado, dava pra ver a casa com uma criança. Era uma casa sem telhado. Chegamos lá e já estava escuro. Abrimos a porta no única parte da casa que ainda tinha telhado. Eu eu estava com uma sensação de medo, porque eu não sabia o que eu poderia ver dentro. Eu vi tantas mortes e estupros e tantas coisas. Estava com aquele embrulho no estômago, porque não sabia o que veria dentro. Eu abri a porta e não conseguia ver nada. Falei pra Clara "pega lá algumas velas de dentro do saco de comida". Então ela acendeu duas velas e a gente olhou pra dentro... Ao abrirmos a porta alguns ratos correram pelas paredes. Aquilo me deu arrepios e eram ratos bem grandes. Enquanto nos acostumávamos à luz eu vi aquela mulher de mais ou menos 29 anos. Alta e magra. Na verdade um esqueleto. Eu não sabia se ela estava viva ou morta. Então eu olhei pra baixo e vi três crianças pequenas de 3, 4 e 6 anos. Eu vi aqueles olhos grandes olhando pra mim e pra luz da vela. Eu falei pra ela "está tudo bem, somos amigos não viemos machucá-la, não precisa ter medo". Olhei pra baixo e meus olhos pararam nos seus pés. Os ratos tinham comido seus pés e estes eram só ossos. Você consegue imaginar ser aquelas crianças, deitadas no chão numa noite fria sem cobertores numa casinha que pode cair derrubada pelo vento e ouvindo os ratos comendo sua mãe? Eu experimentei isso. E depois de anos trabalhando no vale, eu não consegui dormir naquela noite. Às três da manhã eu escrevi um email aos nossos voluntários que estiveram no God's Golden Acre. Às vezes eu acho que Deus faz isso: ele permite que nós levemos um choque por causa da importância do que fazemos. Porque às vezes eu me canso e me pergunto se eu devo desistir. Quando não temos apoio, não temos dinheiro e as pessoas em volta realmente não parecem se importarem, quando você está tão só pelos vales e todos páram e você ora por comida e não tem comida e não tem dinheiro entrando e não têm igrejas cristãs, não tem ninguém. Não importa o quanto você peça e fale. Então eu sei que Deus me deixa eu ver essas coisas para me dar a motivação e determinação para continuar. Porque essas imagens, embora terríveis, me fazem continuar, porque não sei em qual outra casa o mesmo cenário está se repetindo.
Então é isso que está acontecendo. 400 dis por dia e cada um desses dis é uma família, uma batalha de sobrevivência, por causa do grupo de pessoas que morre que não produz renda. Nunca me esquecerei quando Deus mudou minha vida. Eu era um ateu. Eu foi o olhar nos olhos de uma criança morrendo que me levou a fazer esse trabalho, na verdade. Eu tive um casamento muito desgraçado: 5 anos do casamento mais desgraçado que você possa imaginar. Eu era uma jovem de fazenda, fui muito protegida. Tive uma crianção privilegiada. E me apaixonei por um jovem bonito. E tudo foi só uma experiência sexual e eu só queria me casar com ele porque eu queria estar com ele todo tempo. Então me casei com esse bruta-montes e apenas não deu certo.
Parte 2
É por isso que as palestras do Hughes mencionam um pouco de sexualidade e isso é algo que nós como crentes temos que pensar e refletir muito. Então eu me casei com ele e me arrependi. Ele se revelou um psicopata. Eu gostava de animais, crianças, plantas e esse marido se revelou alguém que gostava de ver o outro amedontrado. Ele matou um dos meus cachorros, matou uma ovelha e a escondeu na cozinha. Ele gostava de me ver aterrorizada e ele não achava que fosse mal. E eu, que sou artista - naquela época eu pintava com aquarela e escrevia poesia - a última coisa que eu queria ver era algo machucado ou algo daquele tipo. Então, depois de 5 anos, eu não agüentava mais. Tinha acontecido muita coisa ruim. Então eu decidi suicidar-me. Eu peguei o meu carro e fui até o alto da montanha Drakensberg. Eu adorava escalar montanhas. As montanhas de Drakensberg são uma cordilheira linda - eu convido todos vocês a virem à África do Sul e ver essas lindas montanhas. Então eu dirigi até o alto da Drakensberg e pensei que ninguém nunca me acharia. E tomei 100 pílulas para dormir, deitei - e naquela época eu era um ateu, não cria em Deus - ninguém podia me convencer que existia um Deus. E logo antes de eu adormecer eu pensei "e se existir um Deus?" Eu me lembro claramente "e se Deus existir?" E eu senti tipo que uma raiva dentro de mim, porque eu abandonei Deus quando era criança e em várias ocasiões me afastei dele. E eu disse "se você está aí, Deus, e eu o vir, eu vou dizer-lhe que você é um mentiroso, porque no seu livro você falou que não provaria ninguém além do que pudesse suportar e você me provou muito além do que eu jamais conseguiria suportar. E eu não quero um amanhã. Então, eu o verei, e eu não tenho medo de lhe ver depois de cometer suicídio." E esse foi o último pensamento que passou pela minha cabeça. E eu acordei num hospital e eu estava muito braba. Como é que não deu certo? Como é que eu vim parar aqui? Não conseguia entender como que não tinha dado certo. Era um plano perfeito. E eu não queria ver ninguém. E o homem cujo filho havia me achado, Malcon Green, ele dirigiu duas horas e meia pra vir me ver no hospital. E eu pensei comigo "Por que que ele viajaria de tão longe para me ver no hospital? Ele é um fazendeiro, levanta cedo e são duas horas e meia de estrada e gasta meia-hora me vendo?" Mas eu queria saber como é que não tinha dado certo, como é que eles foram me achar naquela área tão remota. Então deixei ele entrar e eu me desculpei pela inconveniência de tudo que aconteceu e me senti horrível. E perguntei "como é que seu filho e seu amigo me acharam?" Ele disse, eles estavam no alto da montanha Drakensberg caminhando e escalando. E eles notaram um reflexo de uma luz bem clara no vale. Então enquanto se aproximavam, eles iam pensando "o que é que pode causar esse reflexo?" E era claro.
Então pensaram "ah, alguém está cozinhando um animal - um antílope". Então eles foram descendo correndo a montanha para pegá-los antes que fossem embora e me acharam deitada inconsciente. Então eles me puseram dentro do carro e me levaram depressa pra fazenda e falaram pro pai me levar pro hospital.
E ficaram gritando pro pai "mais rápido, pai, ela está morrendo." Então o Malcon me contou a história e eu lhe agradeci. Pensei que fosse a última vez que o veria. Mas no dia seguinte ele veio de novo - duas horas e meia pra vir ao hospital, duas horas e meia de novo na noite seguinte. Na terceira noite eu já estava me sentido bem incomodada com aquilo. Pensei "por que esse homem está dirigindo toda essa distância - duas horas e meia pra vir e duas horas e meia de volta - só pra vir e sentar ao lado da minha cama. Não estou querendo falar agora, eu ouvi e conversamos e eu me sinto meio envergonhada sobre o que aconteceu. Eu disse, Malcon, por que você está vindo, por que está vindo me visitar toda hora? Ele disse "Heather, foi você que salvou a minha vida". Foi como se eu estivesse ouvindo coisas. Eu disse "como é que eu posso ter salvo a sua vida? Seu filho salvou a minha vida". Ele disse "não. Quando meu filho veio correndo com você, eu estava com uma arma apontada pra cabeça no estábulo prestes a estourar os meus miolos, porque eu perdi muito dinheiro, financeiramente não podia continuar e meu casamento estava por um tris. Eu estava quase apertando o gatilho quando ele entrou correndo no estábulo". Aquilo me espantou e pensei "isso é loucura. Talvez haja um Deus - alguém me acha e depois diz que eu o salvo". E eu estava completamente confusa. Mas de alguma forma, eu não cometi suicídio depois daquilo, eu segui a diante com minha vida.
Aí eu sofri um acidente horrível indo pra Merricksburg, numa descida acentuada indo pra Badminton, tentei freiar - pisei no freio mas ele não funcionou. E eu bombeei o freio - e eu estava com meu filho pequeno. Eu divorciei do meu primeiro marido e enquanto o processo corria ele casou e foi assassinado. Embora tenha sido triste que ele tenha sido assassinado, de uma forma foi uma libertação para mim daquela punição e medo constantes. Então Deus me livrou daquele peso. Então achei o mais incrível marido. A gente está casado há 26 anos - Patrique - são suas [esculturas] de bronze que estão ali no foyer. E nos últimos 14 anos, suas esculturas de bronze têm financiado vários projetos - para meninas grávidas, vítimas de violência na cidade de (?). E ele é o artista mais amável e gentil, o marido mais prestativo que eu poderia imaginar. E nós ainda estamos apaixonados depois de 26 anos. Então depois daqueles terríveis 5 anos, Deus me retribuiu com tanto amor que eu só posso agradecê-lo cada dia. Então a gente se casou e um pouco depois nasceu o meu filho. Ele tinha só dois meses e estava na cadeirinha atrás do carro. Eu descia com o carro, estava atrasada para uma reunião, ia me aproximando da placa de pare, pisei várias vezes no freio sem sucesso - estava sem freios. Só fiquei esperando o que aconteceria. Olhei pro lado e vi um carro vindo. E bateu em mim com tal velocidade que rolei e rodei pelo asfalto. E saí do carro e não sabia se meu fiho ainda estava vivo. Foi um sentimento terrível ter que ver se o filho estava vivo ou morto no meio dos destroços. E a batida era do lado dele. E eu me lembro de ter dito "Deus, se ele estiver vivo, eu vou tentar te achar de novo." Eu abri a porta, estava escuro e vi seu cobertor e eu o tirei e ele estava completamente intacto. Ainda não sei como. Perfeitamente protegido e intacto debaixo do assento. E eu só disse "obrigada". Eu puxei-o de debaixo do assento e levantei. Eu queria saber se alguém no carro que me bateu tinha morrido. E eu comecei a andar pela rua e os carros e as pessoas começaram a se ajuntar. E então um sujeito veio andando em minha direção. Era bem alto. Ele veio e ele não falou nada. Eu sabia que ele era o motorista do outro carro. Eu estava esperando que ele dissesse "Sua mulher estúpida, o que que você acha que estava fazendo? Você é maluca?" Mas ele não disse nada. E eu estava começando a ficar com medo, porque ele não dizia uma palavra. Ele veio andando em minha direção, descendo.
Parte 3
E quando ele chegou até mim, numa voz bem, bem delicada ele pôs a mão no meu ombro e disse "você está bem?" E eu aí me dei conta que eu tinha acabado com o seu Jaguar esportivo novinho em folha, modelo importado. E esse homem disse pra mim "você está bem? Estão todos bem?" Eu disse, "sim, estamos, graças a Deus", "Então vamos orar". Ali, no meio daquela rua, em Petermahesburg (?), três pessoas puseram seus braços em volta um do outro e oraram. E eu senti as lágrimas descendo do meu rosto. E ele pensou que foi por causa do acidente. Eu sabia que era a amargura e a dor que tinha me separado de Deus. Toda aquele muro desmoronou. E eu só disse "Deus, me ajuda a ser como esse homem. É assim que eu quero ser. Ele não se importou com a sua Jaguar, não se importou com nada. Só se importou conosco, com as vidas humanas." Ele cuidou de mim, levou o carro pra um lugar qualquer pra ser consertado, rebocado. No dia seguinte me levou pra reunião que eu ia, me deu uma carona pra casa. Daí no dia seguinte me telefonou pra saber se eu estava bem. Esse foi um momento crucial na minha vida. Eu não desisti do meu emprego. Eu estava numa posição de diretoria. A gente arrumou as malas, vendeu a casa e foi pro interior. Nos tornamos artistas de tempo integral. Estávamos só vivendo com nossas crianças, que eram bebezinhos. E por 3 anos Deus me deu uma vida incrível. Tínhamos nossa horta de vegetais, eu aprendi a fazer pão, geléia. Toda a minha vida mudou por um tempo. Até que a primeira menina grávida apareceu, uma menina negra. Ela tinha 14 anos e me pediu um emprego. Eu disse "eu não posso te empregar, você é uma criança. Você é uma menina só com 14 anos. Você tem que voltar pra sua casa, pra sua mãe." E ela disse "eu não tenho ninguém. A gente estava indo de carro para um funeral e o carro caiu de uma ponte no rio e todos morreram, exceto eu." Ela perdeu toda a sua família de uma vez só: pai, mãe, irmãos e irmãs. E ela permaneceu ali em pé na minha varanda - e isso foi em 1982, bem antes do Apartheid acabar - eu olhei para aquela menina negra. Se ela tivesse se dado conta do que ela estava pedindo... Se eu a trouxesse pra casa, eu seria totalmente segregada da cominudade branca.
Não era pra deixar pessoas negras ficarem nas casas. Era absolutamente inaceitável. Mas nós, os artistas, trabalhávamos com artistas negros, então a gente tinha um relacionamento diferente com negros. Mas eu sabia que se eu ficasse com essa menina em casa... e eu estava numa comunidade alemã. Eram da AWB - chamados Afrikaner Weerstand Beweging [Movimento de Resistência Afrikaner] - eles eram bem, bem, bem radicais... E eu disse pro Patrique, meu marido: "o que que você acha, Patrique? O que que a gente faz com essa menina? Não posso mandá-la pra nenhum lugar. Não tem nada, não tem ONG, não tem lugar nenhum pra onde mandar essa menina" Ele disse "não me pergunte. O caso é seu, você é que decide. É a sua família, você é que tem a família racista (?). Não quero ter nada a ver com isso. O que que você decidir está bom." Eu olhei para aquela menina e eu não sabia o que dizer. Eu não conseguia explicar, ela não entendia, não sabia quais seriam todas as implicações. E eu não podia dizer nem "sim" nem "não". Então, finalmente, eu disse "bem, você pode vir." E aquilo foi a grande mudança na minha vida. Eu peguei a menina negra, a família se afastou, amigos se afastaram. E, de repente, nós estávamos muito sós. Mas naquela manhã de natal,
nasceu a Graça. E foi um natal solitário, porque não tínhamos nossa família conosco. Mas aquela menina teve seu nenê 3 semanas antes do previsto e nasceu a pequena Graça. E aquele foi o melhor natal que tive. E eu comecei a conhecer mais sobre crianças negras e pessoas negras. E era só o início. E depois [vieram as] meninas grávidas, anos depois. Teve a violência da ANC-IFP antes de haver eleições e foi horrível. Negros contra negros e era bem nessa área onde as meninas grávidas estavam. Então nós acabamos tendo que carregar corpos, ajudar pessoas a enterrar outras. Meu marido teve que trabalhar mais duro nas esculturas de bronze, porque elas estavam ajudando bem mais nos vales.
Aí, um dia houve muitas mortes. O vale todo parecia ser um fogo só. Eles queimaram casas, e as pessoas gritavam, se queimavam e corriam. E apareceram 58 refugiados na nossa fazenda. Estavam com frio, com medo. E eu tinha ANC de um lado e 58 IFPs na nossa fazenda. E eu só disse "Deus, nos ajuda". Enquanto isso, minha fé em Deus começou a se fortalecer muito, porque eu tinha que depender dele. Toda vez que Patrique saía pra ajudar alguém no vale, ele tinha que ir por umas...
e a polícia te parava. Você não conseguia entrar porque era muito perigoso. Mas ele conhecia as estradas secundárias. E nunca sabia se ia ver meu marido vivo de novo. Porque você viajava de uma área até a outra, território ocupado pelo inimigo, ANC. Eu só orava a Deus "ó Deus, não deixa ele ser morto. Não deixa uma bala atingi-lo, por favor." E ele voltava pra casa cada noite e eu dizia "obrigada".
E então numa noite eu entreguei a minha vida ao Senhor. Numa noite, sem dúvida, eu soube que Deus estava verdadeiramente ali. Sem sombra de dúvidas, sem nenhuma dúvida. Era tão real. E eu, silenciosamente na cama, disse a ele "toma a minha vida, cada átomo de mim, Senhor, e usa."
E eu orei e chorei por ser um ateu e as vidas que eu, talvez, tivesse arruinado com minha ignorância e sendo tão convicta que Deus não existia. Então eu falei pra Deus "mesmo que eu precise deixar meu marido e meus filhos, Senhor, usa-me seja qual for a forma que quiseres". Eu então procurei uma igreja Metodista para me tornar evangelista. Comecei o curso. Mas quando cheguei ao segundo ano, eu me dei conta que não era bem o ministério que eu... porque eu gostava de estudar e gostava daquela parte... dos trabalhos. Na verdade, através dos trabalhos tanta coisa se revelava a mim.
Todo meu relacionamento com Deus cresceu incrivelmente. E eu liguei para aquele homem com
quem me acidentei e eu só disse "me desculpa por sua Jaguar, mas você realmente mudou minha vida". Isso foi depois de 7 anos do acidente. Eu só lhe agradeci. Depois nós continuamos... e [depois aconteceu] aquela noite dos incêndios e [apareceram os] 58 refugiados. E de repente eu me dei conta: nós não temos dinheiro suficiente. Ter só as esculturas dos meu marido - e ele estava parando com o trabalho em madeira e começando com bronze. Ele precisava de cerca de um ano pra aprender a fazer moldes, e trabalhar com coisas maleáveis em vez de madeira.
E eu precisava ganhar dinheiro. Eu precisava voltar a trabalhar, pegar um bom trabalho e ganhar uma boa comissão pra de alguma forma ajudar esses refugiados e tentar ajudar eles a reconstruir suas vidas. Então comecei a procurar um emprego. De repente, minha irmã telefona de Johanesburg e me diz "tem uma vaga de emprego aqui, mas tem que ir pra Uganda, pro norte" e era antes de eleições, e esses países estavam lutando contra a África do Sul. Havia vários soldados treinados pra atirar em nós e nos matar, por causa do sistema do Apartheid. Mas sabia que isso era do Senhor, porque eu estava orando por um emprego que me pagasse uma comissão grande. Eu fui pra uma entrevista e o homem na verdade riu de mim. Ele disse "O que que você sabe sobre caminhão de asfalto Como é que você vai conseguir ir para esses países?" E eu disse "Eu preciso muito da comissão e é uma comissão alta." O contrato era de um milhão de dólares e eu ficaria com a comissão de 60 mil. E essa era a quantia que eu precisava para começar [o trabalho de ajuda].
Parte 4
De qualquer maneira, eles não tiveram nenhum outro candidato e eu fui a única pessoa que se candidatou ao emprego... então, lá fui eu vender um barco (?) pro Senhor. E eu me lembro que minha família começou a se mexer. Eles ouviram que a irmã ia pra Uganda, então de repente eles lembraram da sua irmã e convocaram um encontro antes de eu voar. E tinha vários irmãos que estavam à frente do ministério, pastores, evangelistas, igrejas. E ouvi "isso não vem do Senhor, você não pode fazer isso. [Você é uma] mulher sozinha" E eu disse pro Davi: "eu provavelmente vou sozinha. Se eu sei que isso vem do Senhor então vocês não acham que ele me protegeria indo sozinha pra Uganda? Vocês não acham que ele me protegeria de alguém que quisesse me machucar, se fosse realmente do Senhor?" E eu disse "eu sei que é, porque essa é uma oportunidade de emprego para ter a quantia de dinheiro exata para começar o ministério." Eu disse "não vou ter medo, porque se Deus não pode me proteger, então em quem estou crendo? Porque ele criou o mundo inteiro. E se eu creio em Deus, que ele criou o mundo inteiro, que ele criou vida no útero de uma mulher, então como é que eu não vou acreditar que ele pode parar a mão de alguém que queira me matar?" Então com essa firme convicção, eu entrei num avião, fui pro Quênia, fiz o trabalho lá, e peguei um avião pra Uganda. Eu nunca vou me esquecer. Eu entrei no avião e só vi faces negras. Mas tinha um rosto bem na frente do avião. Era a senhora Eva Porter.
E tinha um assento ao lado dela, meu assento, que estava livre. E quando sentei ao lado dela, ela me perguntou aonde estava indo e o que que eu ia fazer na Uganda. E eu disse "eu preciso falar com o ministro dos transportes, porque eu quero vender uma caminhão de asfalto que faz piche, para asfaltar rodovias, consertar buracos. A África precisa muito desse equipamento." E eu comecei com a minha história de marketing com ela. E ela disse "ah, mas isso é muito fácil, porque meu marido, Justice David Porter, está no Parlamento agora. Ele conhece todos os ministros e ele vai me pegar no aeroporto." É assim que Deus trabalha. Eu nunca vou me esquecer. Eu não tinha a mínima idéia com quem falar em Uganda, não tinha a mínima idéia. Logo a Eva Porter no avião... Então o David fez a propaganda nossa, fomos ao Parlamento, marcou a reunião. E a única hora que ele poderia me ver era Domingo na quadra de tênis. Isso era o Ministro. Eu disse "claro, por que não?" E então chegou o Domingo, e só tinha homens. E eu fiquei com bastante medo, porque eu pensei "isso é uma prova pra mim como uma mulher branca". Ali na quadra de tênis tinha só homens e eu era a única mulher. Mas estive com pessoas negras por tanto tempo e eu os conhecia tão bem que eu não tinha medo. Eu só cheguei e... tivemos um almoço maravilhoso. E eles tentaram meio que me testar e eu acho que passei no teste. Então finalmente, eu vendi a barca. E fechando o negócio tão rapidamente, eu ainda tinha 4 dias mais. David disse pra mim "usa a minha land-over e um dos meus guardas e conheça um pouco de Uganda". Então começamos a passear. E passamos além do (?) um dia. E no último dia, o guarda que era crente fiel a Deus, Timothy Enemow, me disse "o que mais você quer ver?" eu disse, "eu não sei bem, você é que diz o que que seria bom de ver". E ele disse "eu adoraria visitar minha família. Eu não tenho dinheiro para ver minha família. Eles estão perto de Kibale e seria algo que eu adoraria fazer. É um lugar lindo". Eu disse "claro, tá bom. Eu não estou pagando... David e Eva me deixaram ficar na casa deles. Eu estou ficando na casa deles, estou economizando dinheiro com hotel e transporte." Então lá fomos nós ver a família do Timothy. E naquela viagem, perto da casa dele, a gente parou para tomar água. E quando a gente abriu o porta-malas... ninguém põe a água de peixe no porta-malas. Então eu fiquei estarrecida. Eu disse "Timothy, eu não posso beber essa água, porque a sua água tem bactéria e se eu tomar eu vou ter dor-de-barriga durante dois anos. Eu não posso. O que é que vamos fazer?" Ele disse "perto daqui tem uma fonte que vem direto do chão." "Você tem certeza que é limpa e clara?" Eu disse então "vamos andar, estou pronta pra andar até a fonte". E quando começamos a andar por aquela estradinha, eu de repente comecei a notar as crianças. Tinha tantas crianças em volta. Mas tinha algo
estranho, algo errado. Eu não queria ficar olhando pra elas, mas algo me incomodava... Tinha alguma coisa errada ali. Chegamos até a fonte, pegamos água, enchemos nossas garrafas. E na volta, eu pensei "eu tenho que perguntar ao Timothy" Eu disse "Qual é o problema dessas crianças? O que que se passa? Tem algo estranho" Ele disse "essas são as órfãs por causa da AIDS". Naquele tempo, AIDS estava ainda em São Francisco [Estados Unidos], estava em algum outro lugar, não tinha na África do Sul. A gente estava lidando com o fim da era Apartheid e violência política e esse tipo de coisa. AIDS era uma coisa de outros lugares. Então comecei a olhar pros rostos das crianças e de repente me dei conta que essas crianças estavam morrendo de fome. Seus olhos eram fundos e tinham umas barrigas grandes. E eu me senti mal. E eu disse "Timothy, a gente tem comida no carro, o nosso almoço. Vamos pegar e dar pras crianças." Eu estava confusa, eu não estava preparada para aquilo. Eu gostaria de ter mais dinheiro ou comida comigo. Então pegamos a comida no carro e voltamos pra estrada. E entramos na primeira casinha. Ao entrar, ali no chão, tinha duas crianças. Uma tinha mais ou menos 3 anos. Era só um esqueleto. Estava morta. A outra ao lado tinha 5 anos e era um esqueleto também, mas ainda viva. E eu fiquei tão chocada. Eu não me lembrava de ter visto uma criança morrer de fome. Alguém aqui já... alguém já esteve... alguns, já viram como é uma criança quando é só pele e osso? Você se sente muito mal. Eu olhei nos olhos daquela criança. E naquele momento, tudo parece que passa tão depressa. Era como se eu visse imagens na minha mente. E uma coisa que me veio à mente bem forte foi que nós como cristãos falhamos. Nós negligenciamos essas crianças. E de repente eu me confrontei comigo mesma e pensei: "eu sei que tem crianças na Etiópia, eu sei que tem crianças em Bristol e pelo mundo. Como é que eu consigo viver apesar disso? Como é que por tantos anos eu consigui me acomodar com isso e não fazer nada sobre isso? Como nós todos não fazemos nada por isso? " E de repente eu pensei "tem algo errado" porque eu sei que nesse... que cada um aqui, todos vocês, são indivíduos que se importam. Eu sei que sou um indivíduo que se importa. Mas como é que quando uma criança está lá, a uma ou duas quadras da gente, a gente não faz nada? Mas se aquela criança entrasse pela porta morrendo de fome, todos nós iríamos correr, iríamos levar ao hospital, iríamos [ilegível]. Provavelmente alguém financiaria a escola pelo resto da sua vida e sua vida mudaria. A gente pode reagir assim quando tem uma criança que a gente vê. Então qual é o problema, por que a gente não age assim quando é uma criança morrendo num outro lugar? É a mesma criança. Elas são todas iguais. Então tem algo nas nossas mentes que nos bloqueia. E eu estava ali naquela hora, e eu olhei para aquilo, para aquela criança. E eu pensei "deste dia em diante eu sei, Senhor, que é isso que tu queres que eu faça.
Parte 5
Cuidar de cada criança que apareça na minha vida. Mas também que eu fale para todo e cada crente que eu encontrar dizendo que nós estamos negligenciando essas crianças se nós não fizermos algo." Como é que nós podemos servir a Deus, amá-lo, louvá-lo Domingo após Domingo... grupos em células, cursos Alfa... onde for que estivermos, nós o louvamos e dizemos que o amamos. Essa última música, foi uma das mais belas músicas que eu ouvi há muito tempo. Eu só agradeci a Deus por tocarem essa canção antes de eu começar a falar. Eu disse "obrigada, Senhor. Seja quem for que tenha composto essa música, é tão linda." E vocês as cantaram tão bem. Mas como é que a gente não cumpre o segundo mandamento? Por que é tão difícil amar ao próximo? Por que é tão difícil dar quando a gente tem tanto? Por que é tão difícil quando nos custa algo - seja tempo ou dinheiro? Por que nós somos tão egoístas? Sabe, naqueles vales... se eu pudesse levar cada um de vocês por aquela rua para ver as casinhas, para ver os olhos daquelas criancinhas. Muitos dos pequenininhos são HIV positivos, mas os mais velhos estão bem. E aquele aos quais estamos dando comida estão tão alegres. E nós transformamos as vidas deles. E tem as 17 crianças que estão em casa - vocês podem ver aqui na mesa - fizeram um tour pela Inglaterra. São crianças que era cheias de [ilegível], de lombrigas, que não conseguiam olhar nos olhos porque tinham sido estupradas... tudo quanto é caso. Nesse ano em Junho [2002], nós os levamos num tour pela Inglaterra patrocinado por [Barotry?]. E houve aplausos de pé para as canções e [esculturas de] bronze das crianças. E elas estavam no lugar que mereciam. Eles entraram no avião contentes e orgulhosos... Eu olhei pra eles, eu nunca me esquecerei de (?), um lindo lugar daqui. Teve um lindo churrasco. E ali todos estavam correndo, falando alto, otimistas. Eu olhei para aquelas 26 crianças interagindo com todos aqueles grupos da igreja e senti uma incrível alegria e responsabilidade, ao mesmo tempo, pelo privilégio de poder ajudar essas crianças a vencer todas as coisas que aconteceram com elas. Quase todas as crianças, as meninas, que chegam aos vales são estupradas, freqüentemente. Então nós não conseguimos fazer isso... Eu não sou especial. Eu vim de uma fazenda, eu não tenho tendência para fazer esse trabalho, eu não conseguia falar... Eu nunca me esquecerei a primeira vez que falei em público. Minhas mãos tremiam tanto que eu não consegui tomar nada. E eu disse a Deus "por favor, deixa alguma outra pessoa fazer esse trabalho. Eu não consigo fazer isso. Por favor, deixa eu passar toda essa visão para alguém porque eu não tenho as qualidades, Senhor. Eu não estou equipada para fazer esse trabalho, para começar uma organização, para lidar com as crianças que morrem." Eu não agüentava [ver] nada machucado. Então lá fui eu lidar com bebês morrendo. Mas agora eu consigo. Eu na verdade digo para eles quando chega o fim: "pode ir, Jesus está esperando por você. Se você não quiser mais sentir dor, então apenas deixe Jesus lhe levar. Ele está esperando." E é assim que a gente age nesses momentos finais, quando você canta as músicas e você chega a sentir eles relaxando. E eles sabem que Jesus está esperando. E é um grande alívio da dor terrível do estômago esquecido, todos machucados e eles podem ir, e você vê os seus olhos se fecharem. E não há dor. É como um alívio. E Deus me deu a força para lidar com isso. Eu nunca acreditei que naquela noite quando olhei pros olhos daquela criança morrendo - e eu disse "Deus, eu farei este trabalho" - eu nunca acreditei que eu teria a força [necessária]. E eu sou uma testemunha de que Deus dá as qualidades, ele dá tudo o que você precisa quando te dá um trabalho. Nunca tenha medo de dizer a Deus "usa-me". Porque, embora você seja inadequado para um determinado trabalho, ele lhe dará as qualidades. E essa conferência, eu sei, eu ouvi do [ilegível] é sobre missões. Então, eu estou aqui para lhe dizer: por favor, abra seu coração a Jesus. Diga que você o servirá e veja como ele transformará a sua vida.
Bem, anos se passaram, e o God's Golden Acre foi seguindo. E então nós precisamos de um novo presidente. E eu não sabia aonde achar um presidente. Um tipo de presidente que faria o God's Golden Acre crescer. O presidente que tínhamos era um homem maravilhoso, da Universidade de Natal, o professor Ron Nickelson, um homem brilhante. Mas ele era idoso, tinha mais de 70 anos, e achou que ele não conseguiria lidar com o crescimento do Golden Acre. Então, (?) mudamos para um Holandês, baixinho, resistente. Tem alguém aqui da Holanda? Então vocês sabem como eles são tão... tudo é organizadinho e tão meticuloso. (?) e eu somos totalmente diferentes: eu sou uma artista... Sou o extremo oposto. E eu tenho que trabalhar. E Deus enviou Gem Scott para minha vida e ele é um homem maravilhoso. Mas ele não me agüenta. A essa altura eu tinha 41 crianças na minha casa - uma casa de 4 quartos. Minha sala era um berçario, meu marido saiu do escritório e foi para a dispensa. E todo o seu escritório está numa coisinha assim. Seu estúdio de arte virou quarto de criança. E tinha beliches por toda parte. Um banheiro, um vaso, um chuveiro. E nessa altura eu tive uma confiança em Deus para ajudar-nos. E este doutor olhou para isso - e ele era um doutor, ele [ilegível] tudo explicitamente - "Heather, você não pode pegar mais nenhuma criança. Não pode, não pode pegar mais uma criança." Mas, lá no vale aparece mais uma criança e lá vem ela. E ele diz "eu não posso mais continuar assim, Heather." E eu disse "Olha aqui, Geritt, não é questão de poder continuar. Deus proverá um lugar. Ele proverá tudo o que precisarmos. Nós só precisamos confiar." (?) Então [se] eu estou na beira, ele está lá pronto para me segurar, porque de alguma forma ele acha a solução. Mas de repente, através de uma revista de arte, eu vi um pequeno artigo. E era uma propaganda de uma exposição de arte em Londres. E eu tinha a quantia de dinheiro exata para um Vôo. Eu voei para a exposição de arte. Foi a primeira vez que levamos os bronzes do Patrique para fora do país. E foi o sucesso mais fantástico. E eu tive a quantia exata de dinheiro para comprar uma fazenda - e para dar a entrada. E achamos uma linda fazenda. E esse doutor falou "você não quer que a gente compre essa casa velha e derrubada, né? Este lugar está numa bagunça total. A grama está na altura dos meus ombros." Eu disse "É esse o lugar." E eu sabia, porque na minha visão - e eu escrevo nos livros: um dia (?) escondido no jardim... e o escorregador d'água e todos esses... livros estariam tão novos que este lugar, esse escorregador d'água, seria o lugar (?), na verdade. E eu só disse "Deus, por favor, muda o seu coração. Deixa ele ver que este é o lugar." E ele concordou. Nós compramos o lugar, pusemos nas mãos de Deus o God's Golden Acre e agora estamos procurando um presidente. E eu disse "por favor, Deus, eu preciso de um presidente que pode acreditar em mim. Quando eu disser que é por ali que nós devemos ir, que ele possa dar um passo de fé comigo e dizer 'Sim, vamos fazer'. E quando o Herrit disser 'não', ele deve dizer 'sim'." Então... eu só disse, "Deus, deixa esse homem vir pra fazenda" Mas ele não deixou. E dois meses depois, Herrit disse "Heather, eu te imploro: eu não posso ser vice-presidente de uma organização que não tem presidente. Eu estou tentando angarear fundos pra vocês, eu farei qualquer coisa. Eu preciso escrever 'presidente: Fulano de Tal', e não 'presidente: ponto de interrogação'." Eu sabia que ele tinha razão. E eu só disse "Deus, eu não entendo porque você não me dá o presidente certo. Eu não entendo porque você não enviou a pessoa certa."
Parte 6
Mais ou menos duas semanas depois, Herrit atendeu o telefe. E ele só olhou para o Kat, que estava no [?]. Ele ficou cheio de si. Ele andou e disse "eu achei o presidente! Achei o homem certo." E eu senti meu coração esmorecer, porque eu pensei ser algum acadêmico com algum histórico desses maravilhosos... Desculpa, Herrit... e... então... Eu disse "Tá, quem é, Herrit?" "sr. Helen McCarthy. E ele é presidente da African Enterprise" eu não sei se alguém aqui já ouviu falar dela. É uma organização evangélica na África do Sul "e ele é presidente da Associação de Câncer" E eu só senti minhas pernas ficarem totalmente fracas. E eu disse "Herrit, quem você falou mesmo?" E ele falou: "sr Helen McCarthy" e ainda "não fique brava, Heather" Eu disse "Herrit, sente-se. Eu tenho longa história para contar-lhe. 22 anos atrás eu estava dirigindo numa descida e meus freios falharam..." Então eu entendi. Tudo estava conectado. O homem que mudou a minha vida. E ele ainda é o presidente da God's Golden Acre hoje. É um homem maravilhoso e consegue dar os passos à frente comigo. Mas ele consegue também concordar com o Herrit e me freiar... Funciona bem.
Então, essa é a história [ilegível] uma serva. De ateu a serva. E agora estamos cuidando de mais de mil crianças na área rural. E é realmente um privilégio servir a essas crianças. E outro dia, voltando do vale, eu escrevi uma pequena canção. Os vales Picolaies (?) são tão notáveis, tão remotos. E você se sente tão isolado... Eu gostaria de terminar minha palestra essa noite com uma pequena canção que eu escrevi. Então vou cantá-la pra vocês.
Posso cantar uma canção pra vocês Em favor dos meus amigos, queridos pequeninos que não têm pra onde ir? Seu povo está morrendo todo E há choro durante o dia Não há ninguém pra ouvir ou enxugar suas lágrimas Eles perambulam sozinhos em vales tão escuros Onde permanecem desapercebidos enquanto o mundo prossegue Eles precisam que as pessoas saibam como é estar ali: É estar sozinho, com frio e com fome enquanto a luz se põem Vocês aqui já se deram conta de quão sortudos são? As cartas que Deus lhes distribuiu são muito melhores Então, vocês vão se lembrar desses pequeninos queridos? Eles estão com frio, fome. Devem estar sozinhos. Vamos trabalhar todos juntos para ajudar de alguma forma A trazer vida e esperança para uma criança hoje Eles são apenas bebêzinhos e não entendem E nós somos seus amigos, e eles dependem de nós
Obrigada."